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	<title>Paulo Venturelli</title>
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	<description>O manto da palavra porta palavras e mantém um segredo em chave de rearranjos</description>
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		<title>Paulo Venturelli</title>
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		<title>Escrever/Viver/Ser</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Sep 2010 11:52:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pauloventurelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Homens]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[homo sapiens]]></category>

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		<description><![CDATA[(&#8220;Alguma coisa, em algum lugar, deu muito errado&#8221;). MOSAICO PARA ALAVANCAR A CABEÇA     Eu jamais poderia sentar à minha mesa com seriedade para escrever alguma linha sequer por qualquer outro motivo que não fosse salvar a minha vida. Jane Austen     Então teve início o tempo do exílio, a busca infindável de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pauloventurelli.wordpress.com&amp;blog=15926861&amp;post=5&amp;subd=pauloventurelli&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:center;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.gazetadopovo.com.br"><img class="size-full wp-image-6  " title="estampa" src="http://pauloventurelli.files.wordpress.com/2010/09/estampa.jpg?w=500" alt=""   /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">(&#8220;Alguma coisa, em algum lugar, deu muito errado&#8221;).</dd>
</dl>
<p><strong>MOSAICO PARA ALAVANCAR A CABEÇA</strong></p>
</div>
<p> </p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em> </em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Eu jamais poderia sentar à minha mesa com seriedade para escrever alguma linha sequer por qualquer outro motivo que não fosse salvar a minha vida.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jane Austen</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Então teve início o tempo do exílio, a busca infindável de justificativas, a nostalgia difusa, as questões mais dolorosas, mais devastadoras, as questões do coração que pergunta a si próprio: &#8220;onde poderei sentir-me em casa?&#8221;</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Albert Camus</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Porque de barro e palha tem sido esta viagem que faço a sós comigo.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Hilda Hilst</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Sempre tive a impressão de haver dentro de mim um ser assassinado. Assassinado antes mesmo do meu nascimento. Era preciso que eu o reencontrasse. Procurasse ressuscitá-lo.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Samuel Beckett</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Descobrimos a criação das formas e, desde então falta sempre remate final àquilo que as nossas mãos lassas e desencorajadas abandonam.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Georg Lukács</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não estou dizendo que todas as pessoas que conheço sejam fracassadas, incompletas, não realizadas. Somos, como um todo, até bastante corajosos. O que parece incompleto é a própria vida.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>E. L. Doctorow</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quero incomodar, inquietar, destruir as ideias feitas, atacar os poderes. Mas detesto enviar &#8220;mensagens&#8221;.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Friedrich Dürrenmatt</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se eu não posso tudo, posso ao menos nutrir-me do que não sou, da riqueza, da alteridade do real.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Kalina e Kovadloff</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se eu mesmo sou um ser acabado e se o acontecimento é algo acabado, não posso nem viver nem agir; para viver, devo estar inacabado, aberto para mim mesmo &#8211; pelo menos no que constitui o essencial da minha vida -, devo ser para mim mesmo um valor ainda por-vir, devo não coincidir com minha própria atualidade.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mikhail Bakhtin</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. Mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insusbstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Tzvetan Todorov</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo, ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto, nos humaniza.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Antonio Candido</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Eu sinto que havia uma promessa na infância. Não sei bem de quê, mas de uma coisa melhor. Aí você chega à idade adulta e vê que essa promessa não se cumpriu, e parece que não vai se cumprir jamais. Escrever é uma forma de aliviar essa frustração.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>João Gilberto Noll</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>É a literatura que me interessa; o resto é, para mim, confusão.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Philippe Sollers</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Os livros apagavam o desagradável da vida. Os livros eram meu quarto aquecido.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ben Okri</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não estou lutando pelo sucesso, estou lutando apenas para tirar mais beleza de mim mesmo e compartilhá-la com mais pessoas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ben Okri</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Estou condenado a transformar minha vida em palavras. Traduzir, melhor dizendo.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Paulo Leminski</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Os escritores são animais estranhos. A questão é seriedade, obsessão, audácia. A pergunta é: você é suficientemente obcecado para ir mais além?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Susan Sontag</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O que é uma grande vida senão um pensamento de juventude executado pela idade madura?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Alfred de Vigny</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Preservar a angústia é fundamental para continuarmos fazendo arte.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Cacá Diegues.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;">Ah! A literatura ou me mata ou me dá o que peço dela.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lima Barreto.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Todo ser é uma arqueologia viva, recamado de referências.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Nélida Piñon</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrever&#8230;é um sono mais profundo do que a morte, e assim como não se deve e não se quer arrancar os mortos dos túmulos, assim mesmo não devo e não posso ser arrancado de minha escrivaninha à noite.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Franz Kafka</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Assim como o corpo se forma originalmente dentro do seio (do corpo) materno, a consciência do homem desperta envolta na consciência do outro.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mikhail Bakhtin</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Tudo aquilo que perdi já foi esquecido, o que me fez sobrer se dissolveu, o que eu deixei escapar, escapou, e o que restou é bem suficiente.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Amós Oz</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Os únicos leitores verdadeiros são os que releem.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Vladimir Nabokov</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura faz cidadãos. É um forma de a gente se civilizar. Não conheço nada mais importante, que nos melhore como seres humanos, do que ler livros.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lívia Garcia-Roza</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ler não é só adquirir conhecimento ou experiência de vida. É também a possibilidade de ter outra vida, de viver o imaginário.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Sérgio Sant&#8217;Anna</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Na literatura, é importante fazer isso, cutucar feridas, colocar interrogações. Só assim ela fará sentido para quem a lê. Só assim a sua sensibilidade conseguirá se combinar com a sensibilidade de outros.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Bernardo Ajzenberg</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quem não lê tem uma vida menor, em todos os sentidos, porque não consegue apreendê-la, compreendê-la, senti-la no seu dia a dia.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Raimundo Carrero</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>No interrogatório que Wilde sofreu, ele diz: </em>Tudo o que incita a pensar é adequado, qualquer que seja a idade do leitor&#8221;.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Georg Steiner</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Um intelectual, em vez e ceder à tentação oferecida pelas religiões, deve conservar uma posição laica, expressa na mistura inabalável de ceticismo e contestação.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Edward Said</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Tenho uma memória muito fraca, razão pela qual preciso duma biblioteca muito grande. Minha memória repousa nas folhas impressas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mário de Andrade</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A melhor página não é só a que se relê, é também a que a gente completa de si para si.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Machado de Assis</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Num certo momento, os homens inventaram a escrita. Podemos considerar a escrita como o prolongamento da mão e, nesse sentido, ela é quase biológica. Ela é a tecnologia da comunicação imediatamente ligada ao corpo. Quando você inventa uma coisas dessas, não pode mais dar para trás. Repito, é como ter inventado a roda. Nossas rodas de hoje são iguais às da pré-história. Ao passo que nossas invenções modernas, cinema, rádio, Internet, não são biológicas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Umberto Eco</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Uma obra-prima não nasce obra-prima, torna-se uma.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jean-Claude Carrière.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A partir de certo ponto não há qualquer possibilidade de retorno. É exatamente esse o ponto que devemos alcançar.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Franz Kafka</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Diante de uma falta inexorável, a saída via escrita: preencher a falta com o próprio texto. Inscrever o que não cessa de não se escrever.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ana Maria Clark Peres</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quando você leva a primeira porrada, é de um jeito. Quando leva a porrada número mil, você é de outro jeito, é um outro cara, ou a metade.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Eduardo Galeano</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quase tudo o que de grande existia, existia como um</em>  apesar <em>, realizado apesar de aflição e tormento, pobreza, abandono, fraqueza corporal, vício, paixão e mil obstáculos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Thomas Mann</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ser jovem é ter uma causa a que dedicar a vida. É acreditar na possibilidade de mudar o mundo&#8230;</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Dom Hélder Câmera</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>As contradições do homem. Do homem que o escritor faz questão de ser e se esforça por ser: com seu destino ligado ao dos outros, pois não se fecha nem se tranca, porque não sabe viver sem comunhão.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mário da Silva Brito</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A experiência tem-me demonstrado que o que me parece claro e evidente quase nunca o é para o resto dos meus semelhantes.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ernesto Sábato</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A ter de me arrepender um dia, prefiro me arrepender daquilo que fiz e não daquilo que não fiz.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Fernando Sabino</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Minhas forças, meu valor, meu destino, estou convencido disso, é ser transitório.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mário de Andrade</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Sou a unidade e a dispersão./ Sou o nada, sou o esquecimento./ Sou o cinismo e a amargura,/ a alegria, o crime e a inocência./ Sou a verdade, a mentira e o/ que há entre ambas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Andityas Soares de Moura</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Clarice Lispector</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Por que sempre escrever neste mesmo estado de espírito? Um Diário assim com o risco de se tornar um simples anotado de sensações mesquinhas e melancólicas? Mas eu próprio serei muito diferente disso?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lúcio Cardoso</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Enquanto você estiver vivo e fizer parte do mundo, diga o que tem a dizer e depois feche a tramela para sempre! Mas não capitule, não se renda!</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Henry Miller</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O Prometeu do futuro necessita de uma nova voz &#8211; em outras palavras, de uma nova linguagem. Em tal concepção cada criador tem aí sua própria linguagem que deve no que é mais importante, superar a dos predecessores.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Arthur Rimbaud</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Todo escritor é mais ainda leitor e sempre será: lemos mais obras que as que jamais poderemos escrever, e sabemos que este interesse, esta paixão, é possível porque a experimentamos centenas de vezes; e que algumas vezes compreendemos melhor o mundo e a nós mesmos por meio destas figuras fantasmais que percorrem os romances ou destas reflexões feitas por uma voz que não parece pertencer inteiramente ao autor nem ao narrador, ou seja, não inteiramente a alguém.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Javier Marías</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Nenhum artista é uma espécie particular de homem, mas todo homem é uma espécie particular de artista.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Anônimo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Genialidade, sei&#8230; Eu diria: trabalho, trabalho e trabalho.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Guimarães Rosa</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A história da literatura é a história das repetições, do já-escrito. A ilusão de quem escreve não consiste em dizer a si mesmo que se é o primeiro a quem isso acontece, esse sofrimento, essa calma, esse êxtase, essa insuportável fragrância de amor, que se é o único a poder falar disso, e de se aperceber, caçador desembriagado pelo olhar pousado sobre o bicho morto, que tudo o que fez foi levantar uma lebre que muitos outros já tinham matado?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Michel Schneider</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não há nenhuma invenção absoluta. A mais marcada pela ousadia e pela originalidade das invenções nada mais é que um feixe de imitações escolhidas. O homem não compõe nada de nada.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Charles Nodier</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não inventamos nada, na verdade. Pedimos emprestado e recriamos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Henry Miller</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O artista não tem importância. Só o que ele cria é importante, já que não há nada de novo a ser dito. Shakespeare, Balzac, Homero, todos escreveram a respeito das mesmas coisas, e, se tivessem vivido mais mil ou dois mil anos, os editores não teriam precisado de mais ninguém desde então.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>William Faulkner</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Lá no fundo, eu não acredito que seja preciso qualquer talento especial para uma pessoa se erguer do chão e planar no céu. Com bastante trabalho e concentração, todo ser humano é capaz de repetir os feitos que realizei como Walt, o Menino Maravilha. Precisamos aprender a parar de sermos nós mesmos. É aí que começa, e tudo mais continua deste ponto. Devemos evaporar, deixar nossos músculos entorpecerem, respirar até sentir a alma sair de nosso corpo. E depois fechar os olhos. É assim que se faz. O vazio dentro de nosso corpo se torna mais leve que o ar ao redor. Aos poucos, começamos a pesar menos do que nada. Fechamos os olhos. Abrimos os braços. Evaporamos. E então, aos poucos, subimos no ar.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Paul Auster</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Qualquer texto literário, enquanto desempenho verbal impresso, constitui uma forma de ação verbal, calculada para leitura ativa e respostas internas, e para reação impressa por parte de críticos, e pastiche ou paródia por outros escritores.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Robert Stam</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O conhecimento não resulta de um simples contemplar nem apenas de um refletir, mas de um agir e do analisar o que é criado. Assim, cada grau de conhecimento humano, sensível e racional, é uma atividade da qual participam o saber do homem e suas experiências. Como, no entanto, o real imediatamente acessível ao homem é caótico e obscuro, para conhecê-lo é necessário o desvio da teoria, uma </em>détour<em>: a compreensão da realidade coincide com o caminho percorrido entre a caótica representação do todo e a rica totalidade de múltiplas determinações e relações.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Sônia Kramer</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Antes navegar, livre, nos mares da incerteza, na esperança de horizontes, que habitar, seguro, nos charcos onde o naufrágio é impossível&#8230;</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Rubem Alves</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O grande escritor é sempre um grande leitor. Sem Homero não haveria Virgílio, sem Virgílio não haveria Dante, sem Dante&#8230;etc. Apesar dessa evidência, persiste um certo senso comum de origem romântica pretendendo conectar a palavra à coisa, e a literatura à vida, sem mediações; e que é </em>coisa<em>? e </em>vida<em>?</em>  words,words, words<em>, diria aquele inglês, também grande leitor, como sua personagem Hamlet que andava com um livro na mão. Ou aquele espanhol que pretendeu ter lido num livro a história do triste fidalgo que lera ele mesmo demasiadas novelas de cavalaria.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Leyla Perrone-Moisés</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Qualquer um pode ser escritor. Como? Ora, gaste os fundilhos das calças na cadeira.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Leon Uris</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura se alimenta de si mesma e nem na mais remota antiguidade da palavra, em textos, papiros ou gravações em pedra, tinha a realidade como suporte. Algum escriba egípcio ou burocrata romano, na faina administrativa de endeusar seus faraós ou imperadores, vivia mais das fantasias oficiais dos seus senhores do que dos inescrutáveis fatos que compunham seus feitos. Aquelas fontes primárias do alvorecer da escrita não são a honesta transcrição da vida como ela era, mas o registro escrito autocomplacente das versões orais dos senhores da ocasião. Homero era a organização do imaginário dos aedos anônimos que iam de praça em praça cantar os feitos heróicos que todos já conheciam, dispersos, no rio oral de uma tradição preservada como um tesouro. O naturalismo de Zola ou o realismo de Gorki, que buscavam escrever sobre a realidade sem subterfúgios e engalamentos do romantismo, estavam totalmente mediados pelas ilusões das ciências naturais e pelo alvorecer do marxismo visto pelos seus comentaristas russos. A literatura não é a realidade, mas seu sonho. Quanto menos minimalista e subserviente aos fatos da vida diária, quanto mais ficção e invenção, mais ela estará perto deste turbilhão de beleza e terror que é o real.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>José Onofre</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Toda descoberta é uma citação. (Talvez até isto seja uma citação, que eu não soube identificar.)</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Antônio Fernando Borges</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Artistas imaturos imitam; os maduros roubam.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lionel Trilling</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Em literatura nunca há limites nítidos; tudo se apóia em algo, as coisas se superpõem uma às outras, e acabam sendo um complicado jogo intertextual com base em espelhos e bonecas russas, no qual estabelecer um fato preciso, uma paternidade concreta implica riscos que apenas certos colegas muito bobos ou muito seguros de si mesmos se atrevem a correr.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Arturo Pérez-Reverte</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Os únicos paraísos que existem são os perdidos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jorge Luis Borges</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura é só uma confissão de que a vida não basta.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Fernando Pessoa</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Livros e literatura servem para dar aos homens a possibilidade de viver outra vida, sair da prisão a que estão confinados pela condição humana.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Mario Varga Llosa</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Por que escrevo? Ah, que difícil responder a essa pergunta. Tentarei dar alguma resposta e sei que já estou entrando assim numa zona imprecisa. Vaga. O escritor escreve porque tenta recompor, quem sabe? um mundo perdido. Os amores perdidos. Não será uma tentativa de recuperar a família que ficou lá longe, assim despedaçada? ou não será o próprio eu despedaçado que ele está querendo resgatar? E se nessas personagens que procura desembrulhar ele não estiver tentando, na realidade, desembrulhar a si mesmo?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lygia Fagundes Telles</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se em outros aspectos as coisas falham (tantas falham) que pelo menos fique a alegria de criar.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lygia Fagundes Telles</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrevo por não ter nada a fazer no mundo; sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ver ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o desespero. E agora só quereria ter  o que eu tivesse sido e não fui.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Clarice Lispector</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Tsypkin é desses escritores que crêem não na linguagem como uma lente transparente que faz ver o mundo mas, ao contrário, na linguagem como uma rede que, jogada sobre o mundo invisível, só o torna visível , em seus contornos, pois também se deixa ver. Assim como Dostoiévski, na época ainda à espera do reconhecimento literário, se humilha diante de escritores consagrados como Turguêniev e precisa escrever às pressas para pagar as contas e não cair nas armadilhas dos contratos draconianos dos editores, Tsypkin depende de um exercício diário de autodeterminação para não desanimar quando tudo em volta o impede de ver um sentido no seu projeto literário.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Bernardo Carvalho</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Literatura supõe tradição. Seu legado é transmitido de forma pacífica ou confituosa, de modo crítico ou inconsciente, de bom grado ou à revelia do beneficiário. Quanto mais enfáticos se mostram os entusiastas da originalidade, tanto mais desconfiamos de que a crença na novidade depende em larga medida da nossa desinformação a respeito do passado e de nossa arrogância em relação aos mortos. Os escritores mais lúcidos, quando iniciam sua carreira, sabem que, de alguma forma, precisam dar uma resposta às estantes de livros do seu quarto. Por trás das lombadas, os autores que ele ama ou despreza o espreitam.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Rubens Figueiredo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O processo de viver é feito de erros &#8211; a maioria essenciais &#8211; de coragem e preguiça, desespero e esperança de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era </em>nada<em> &#8211; era o próprio assustador contato com a tessitura do viver &#8211; e esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Clarice Lispector</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>No fundo, todos os homens têm uma enorme reserva de palavras que, se fossem pronunciadas, poderiam não mudar o destino do mundo, mas certamente contribuiriam para mudar o próprio. Da mesma forma, tantas palavras soltas, no impulso de um efeito brilhante, poderiam, se silenciadas, poupar ao interlocutor a humilhação e o despeito que o acompanha pelo resto da vida como um arsenal de ressentimento.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jorge da Cunha Lima</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Eu tomava vinho absorto em pensamentos obscuros, via o mundo por uma ótica terrível de procuras insanas e achados frágeis, temporários. A solidão em que nos achávamos. A solidão que nos espreitava. A solidão que nos levava a enlouquecer, a aceitar o inaceitável. O medo. Andávamos todos tão assustados por baixo de nossos óculos Ray Ban, de nossos ternos Armani, de nossas gravatas de seda. Assustados em nossos carros e apartamentos. Querendo um colo que não existe, que buscamos em igrejas, saunas e livros e todavia não achamos, porque não há. Medo de nosso abismo solitário.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Márcio El-Jaick</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Na vida, somos sempre terrivelmente amadores.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Márcio El-Jaick</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Bakhtin rejeita uma noção burguesa, proprietária, do pensamento. Para ele, a ideia não é uma formulação individual, direitos permanentes de residência no interior da cabeça de uma pessoa. Ideias são, na realidade, eventos intersubjetivos elaborados no ponto de encontro dialógico entre as consciências.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Robert Stam</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O que quer que possa fazer ou sonhe fazer, comece-o. Há algo de genialidade, de poder e de magia na coragem.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Johann Wolfang von Goethe</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrevo para criar um mundo em que a utilidade não seja uma exigência. Um mundo em que eu caiba.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Bernardo Carvalho</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura é a busca por uma espécie de espaço alternativo à vida, algo que nos ofereça outras visões, outras janelas, opções distintas daquilo que a gente experimenta em nossa vida prática.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Adriana Lisboa</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O ato de escrever me inspira.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>E. M Forster</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O escritor tem que estar consciente da vida à sua volta.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Dorothy Parker</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se vai escrever, não faça de conta que está escrevendo mal de propósito. Vai ser o melhor que você pode fazer, e é o fato de ser o melhor que você pode fazer que acaba com você. Quero muito escrever bem, apesar de saber que não escrevo bem e que nunca o consegui. Porém, até o fim de minha vida, continuarei adorando aqueles que conseguiram.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Dorothy Parker</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Todos nós fracassamos em realizar nosso sonho de perfeição. De modo que estimo a nós todos com base no nosso esplêndido fracasso em realizar o impossível. Na minha opinião, se eu pudesse escrever toda a minha obra de novo, tenho certeza de que faria melhor, o que é a condição mais saudável para um artista. É por isso que ele continua trabalhando, tentando de novo: ele acredita sempre que dessa vez irá conseguir, irá realizar o que quer. É claro que não conseguirá, é por isso que essa condição é saudável.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>William Faulkner</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Acho que qualquer pessoa que não tem necessidade de ser escritora, que pensa que pode fazer alguma outra coisa, deve fazer outra coisa. Escrever não é uma profissão, mas uma vocação de infelicidade. Não penso que um artista possa jamais ser feliz.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Georges Simenon</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Em primeiro lugar, acho que, se um homem tem o ímpeto de se tornar artista, é porque ele necessita encontrar a si mesmo. Todo escritor tenta encontrar a si mesmo através de suas personagens, em todos os seus escritos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Georges Simenon</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>É difícil escrever um </em>paradiso<em> quando todas as indicações superficiais são de que você deveria escrever um apocalipse. É obviamente muito mais fácil encontrar habitantes para um inferno ou até mesmo um purgatório.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ezra Pound</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não há nada a fazer senão dar conta do recado e calar-se.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Louis-Ferdinand Céline</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Afinal de contas, acho que um poeta tem talvez cinco ou seis poemas para escrever, e não mais do que isso. Ele fica tentando reescrevê-los de diversos ângulos, e talvez com enredos diferentes e em idades diferentes, mas os poemas são essencial e interiormente os mesmos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jorge Luis Borges</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>À literatura compete o resgate de quem somos, para além do bem e do mal.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Lênia M. Mongelli</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quando atinge o equilíbrio, a psique do artista faz isso em tal registro que qualquer distração, qualquer perturbação proveniente da realidade bruta, a destrói num instante: para produzir arte é preciso dar as costas à vida.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Patrick McGrath</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Mesmo quando parece inconsciente acho que o núcleo da inspiração é uma vivência qualquer &#8211; imagem, som, dor, angústia &#8211; antes arquivada e de repente, por qualquer motivo, também exterior, ressuscitada.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Clarice Lispector</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O mundo da ficção pode corrigir e superar a estreiteza do mundo real.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Manuel da Costa Pinto</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Nem tudo o que escrevo resulta numa realização, resulta mais numa tentativa. O que também é um prazer. Pois nem em tudo eu quero pegar. Às vezes quero apenas tocar. Depois o que toco às vezes floresce e os outros podem pegar com as duas mãos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Clarice Lispector</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Deixe-me colocar-lhe uma questão, senhor Breton. Todos conhecemos a noite e os dois lados que todas as noites têm: a noite dentro de casa e a noite fora de casa. Ou seja: há a tranquilidade e o esperado e há, ainda, o medo e a estranheza. Claro que se poderá sempre dizer que a poesia não se encontra nem em um lado nem no outro: a noite tem dois lados e a poesia é a porta da casa no momento em que é aberta e o escuro cobre a relva e o céu. Mas quando alguém tem medo, deve correr para casa: e quando sente tédio, deve correr para a parte de fora da noite. E a poesia, que parece uma coisa parada, resolve, ao mesmo tempo, o tédio e o medo; o que é bom e dois, sendo única, a poesia.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Gonçalo M. Tavares</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Com a escrita é a mesma coisa: muitas vezes você intui que o segredo do universo está do outro lado da ponta dos seus dedos, uma catarata de palavras perfeitas, a obra essencial que dá sentido a tudo. Você está no próprio limiar da criação, e em sua cabeça eclodem tramas admiráveis, romances imensos, baleias grandiosas que só revelam o relâmpago do seu dorso molhado, ou melhor, fragmentos desse dorso, pedaços dessa baleia, migalhas de beleza que permitem intuir a beleza insuportável do animal inteiro; mas em seguida, antes de você ter tempo de fazer alguma coisa, antes de poder calcular seu volume e sua forma, antes de entender o sentido do seu olhar perfurante, a prodigiosa besta submerge e o mundo fica quieto e surdo e tão vazio.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Rosa Moreno</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O ofício literário é extremamente paradoxal: é verdade que você escreve em primeiro lugar para si mesmo, para o leitor que tem dentro de si, ou então porque não pode evitar, porque não consegue suportar a vida sem entretê-la com fantasias; mas, ao mesmo tempo, você precisa peremptoriamente ser lido;e não por um único leitor, por mais refinado e inteligente que ele seja, por mais que você confie em seu critério, e sim por um número maior de pessoas, muito maior, na verdade muitíssimo mais gente, uma horda populosa, porque nossa fome de leitores é uma avidez profunda que nunca se sacia, uma exigência sem limites que beira a loucura e que sempre considerei muito curiosa. Resta saber de onde vem essa necessidade absoluta que transforma todos os escritores em eternos indigentes do olhar alheio.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Rosa Moreno</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrever para passar uma mensagem trai a função primordial da narrativa, seu sentido essencial, que é o da busca do sentido. Escreve-se, então, para aprender, para saber; e não é possível empreender esta viagem de conhecimento levando previamente as respostas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Rosa Moreno</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não há diferença entre cultura e crise. Cultura é crise, é desassossego, é conflito, é tensão, é troca, é risco, é desorientação, é esperança, é eleição, é princípio de algo. Se não ocorre esta sucessão de acidentes, de contradições, de buscas, de afirmações e negações, não há cultura, não há ciência, não há arte. E por conseguinte, não há razão, nem há liberdade. Há outra coisa: isolamento, talvez genial, há erudição, por acaso fabulosa, há obras, talvez brilhantes, mas não há comunicação, não há realidade, não há sociedade.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jorge Glusberg</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>É sempre necessária uma separação da pessoa que escreve livros em relação às pessoas que a rodeiam. É uma solidão. É a solidão do autor, a solidão da escrita.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marguerite Duras</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrever, essa foi a única coisa que habitou minha vida e que a encantou. Eu o fiz. A escrita não me abandonou nunca.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marguerite Duras</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Escrever é correr riscos, e somente correndo-os sabemos que estamos vivos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Margaret Atwood</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O verso debaixo da pele não é o mesmo que uma dor ou que a inflamação de um órgão. Não se elimina com medicamentos. O verso que um homem saiba de cor só é eliminado por uma brutal amnésia. Ou, então, com o excesso de informação que o mundo imbecil o obriga a guardar.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Gonçalo M. Tavares</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Afinal de contas, nunca encontrara seu lugar permanente. Tinha se encaixado onde quer que estivesse, sempre fora o favorito em toda parte pelo fato de fazer mais do que seu quinhão, no trabalho e no divertimento, e por sua vontade e habilidade de lutar por seus direitos e inspirar respeito. Mas nunca lançara raízes. Ele se adaptara o suficiente para satisfazer seus pares, mas não para satisfazer a si mesmo. Sempre ouvira o chamado de algo mais além, e tinha vagado pela vida buscando isso até encontrar os livros e a arte.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jack London</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A biblioteca compreendia uma maioria de romances, mas muitos eram proibidos aos menores de quinze anos e guardados à parte. E o método puramente intuitivo dos dois meninos não era na verdade uma escolha entre os que sobravam. Mas o acaso não é a pior coisa em matéria de cultura, e, devorando aqui e ali, os dois glutões engoliam o melhor ao mesmo tempo que o pior, sem aliás se preocuparem em guardar nada, e não guardando realmente quase nada, a não ser uma estranha e poderosa emoção que, através das semanas, dos meses e dos anos, fazia nascer e crescer neles todo um universo de imagens e lembranças irredutíveis à realidade em que viviam no dia a dia, mas certamente não menos presentes para esses meninos ardentes que viviam seus sonhos tão violentamente quanto suas vidas. O que esses livros continham, no fundo, pouco contava. O que importava era aquilo que sentiam primeiro ao entrar na biblioteca, onde não viam as paredes de livros pretos, mas um espaço e horizontes múltiplos que, assim que transpunham a porta, os tiravam da vida restrita do bairro.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Albert Camus</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura é extraordinária porque é pluridisciplinar. Desde que seja um leitor motivado</em>,<em> que consiga dar sentido aos livros lidos, você passa a ter uma visão e um conhecimento de mundo extremamente ricos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Silviano Santiago</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Busco dizer o que for de modo sucinto e inesperado, para que assim também surpreenda o leitor e o faça viajar comigo nesse mundo poético</em>.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ferreira Gullar</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Um texto é uma intervenção em nosso movimento vital</em>.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Cida Sepúlveda</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Numa sociedade altamente letrada, é importante para a saúde intelectual de sua gente que a crítica seja atuante e que, ela mesma, seja alvo de estudos e investimentos. E quem escreve com desejo e senso crítico, sabe, ou pressente, que seu trabalho é potente e suportará o frio do mundo real, não solitariamente, claro mas amparado em algumas mãos benditas, que não querem só para si a luzes da ribalta e comparvilham do prazer de escrever e ler por desejo, por compulsão vital</em>.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Cida Sepúlveda</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Nem tudo que se propõe diferente e inovador o é, porque para escrever com arte não basta dominar fluentemente a língua escrita e fazer malabarismos visuais, rompimentos linguísticos artificiais. É</em><em> necessário muito mais do que isso, é preciso chegar ao limiar de si, de onde se pode </em>enxergar, ainda que confusamente, o caos que nos habita, que nos força ao recorte do tempo e à fixação de formas visíveis, ligíveis,<em> audíveis etc.</em> &#8211; espelhos vivos.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Cida Sepúlveda</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A literatura se alimenta do silencio. Dizendo talvez melhor: ela é a face visível do silêncio. Todos carregamos um ruído imcompreensível no peito. Não chegamos a ouvi-lo, e nem temos certeza de onde exatamente ele vem. Não passa de um murmúrio. É o vestígio do silêncio, de que a literatura se alimenta.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>José Castello</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não escreva assim, escreva assado; se vai escrever, então escreve desse jeito; sua mãe ficará furiosa, seu pai ficará furioso, o Estado ficará furioso, os editores ficarão furiosas, os jornais ficarão furiosos, todo mundo ficará furioso; vão estalar a língua e sacudir o dedo; faça o que fizer, eles sempre interferem. Você poderá dizer `Deus me ajude´, porém, ao mesmo tempo pensará: vou escrever de tal maneir que todos ficarão furiosos, mas será tão lindo que terão de abaixar a cabeça.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ohran Pamuk</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O leitor sensível, inteligente, sempre conseguirá ver as relações estreitas entre aquilo que está lendo e a possibilidade de transformação, seja da realidade imediata, a realidade do mundo, seja ainda e , sobretudo, a de si próprio.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Silviano Santiago. </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A história da ciência e a da filosofia é a história da busca da essência do mundo: o Ser, o Uno, a Verdade, o Eterno, Deus. Mas a existência de uma essência do mundo é uma ficção, porque tudo é transitório. Não há unidade, permanência ou verdade que não seja provisória. O universo é arte, é vontade dialética. Ação e reação: nos aproximamos dele e ele se aproxima de nós Manipulamos sua pele e ele manipula a nossa.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Luiz Bras (Nelson de Oliveira)</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quando Borges compara o universo a uma vasta biblioteca, sua intenção é denunciar a força físicamente transformadora dos livros. Inventamos a literatura. E a literatura, reagindo com igual intensidade, na mesma direção e em sentido contrário, está nos reiventando. Quanto mais lemos mais nos transformamos no que lemos. Encaramos o abismo e ele nos encara de volta. Combatemos os monstros e os anjos, e vagarosamente vamos nos transformando no que combatemos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Luiz Bras (Nelson de Oliveira)</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se vamos ao estádio de futebol, não estamos simplesmente indo ao estádio de futebol, estamos indo ao Coliseu. Somos gladiadores. Somos todos Maximus Decimus Meridius, comandante dos exércitos do norte. E há o céu estrelado dentro de nós e a lei moral acima de nós. E o oceano profundo. E as avalanches e os terremotos. E fantasmas e replicantes. As nuvens são imensos artefatos de outro lugar, de outro tempo, deslizando acima da superfície da Terra como amebas num espelho líqudio.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Luiz Bras (Nelon de Oliveira).</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Andei pelas nostalgias de casas/esquecidas</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A tarde fugia em vermelha anunciação/ havia rubros nos pátios e míticas figuras/ no ar.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Os pássaros tinham as asas azuladadas./ Cresciam espelhos com luas de outros/ tempos e ruídos de porta/ em um terreno baldio.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Na solidão das uvas/ andei pela nostalgia de casas /esquecidas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>María Del Rosário Andrada</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ninguém descreve, muito menos com força e dedicação extrema, um momento de vida inteiramente satisfatório; quem encontra uma função adequada não carece de autorreflexão. Um mundo que não causa dor não incita à autodefesa. Palavras e frases também são autodefesa; uma era de felicidade plena não teria literatura.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Heinrich Mann</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se a dada altura você perceber que o mundo está cheio de pessoas que não lhe dão a mínima, que ignoram por completo a sua existência, e você conseguir suportar o fato, significa que você está preparado.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Roberto Cotroneo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não se deixe enrolar, Francesco, tentarão contar-lhe que a vida é mais complexa do que a literatura. Não é verdade: o mundo literário de Proust é infinitamente mais complexo do que o mundo real. O dia de Leopold Bloom nada tem a ver com aquele de qualquer outro dublinense, por mais culto que seja. A literatura é um mundo análogo, onde os livros falam uns com os outros: é preciso dar um pulo para entrar nele, pegar impulso para chegar do outro lado. E a volta, mais tarde, não é nada fácil, pois aqueles personagens continuarão a falar com você, a aconselhá-lo, a levá-lo a tomar decisões.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Roberto Cotroneo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>E é justamente aí que está a grandeza dos livros: precisam de leituras diferentes, abrem-se com chaves que você tem de encontrar, ou que a sorte entrega em suas mãos quando você menos espera.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Roberto Cotroneo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmos ao trabalho de lê-lo? Para que nos faça feliz, como diz você? Meu Deus, seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. Um livro tem de ser um machado para o mar gelado dentro de nós. É nisso que acredito.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Franz Kafka</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A relação primordial entre escritor e leitor apresenta um paradoxo maravilhoso: ao criar o papel de leitor, o escritor decreta também a morte do escritor, pois, para que um texto fique pronto, o escritor deve se retirar, deve deixar de existir. Enquanto o escritor está presente, o texto continua incompleto. Somente quando o escritor abandona o texto é que este ganha existência. Nesse ponto, a existência do texto é silenciosa, silenciosa até o momento em que um leitor o lê. Toda escrita depende da generosidade do leitor.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Alberto Manguel</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O significado de um texto é ampliado pelas capacidades e desejos do leitor. Diante de um texto, o leitor pode transformar as palavras numa mensagem que decifra para ele alguma questão historicamente não relacionada ao próprio texto ou a seu autor. Essa transmigração de significado pode enriquecer ou empobrecer o texto; invariavelmente o impregna com as circunstâncias do leitor. Por meio da ignorância, fé, inteligência, trapaça, astúcia, iluminação, o leitor reescreve o texto com as mesmas palavras do original, mas sob outro título, recriando-o, por assim dizer, no próprio ato de trazê-lo à existência.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Alberto Manguel</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A escrita não desaparecerá; não se tornará, como o sânscrito ou o latim, assunto de alguns eruditos ou estetas. Continuará sendo um meio sempre mais eficaz e disponível para conhecer, compreender, emocionar-se, sonhar, aprofundar, comparar&#8230; Não um meio imperialista, que isola o leitor do mundo, mas, ao contrário, uma via flexível de acesso e abertura. Para quem sabe ler, a escrita oferece a permanência e a rapidez, a totalidade e o detalhe mostrados ao mesmo tempo, a liberdade de caminhar e traçar seus próprios itinerários. É, sem dúvida nenhuma, a mídia mais respeitosa; não aquela que expressa mais verdade, mas a que dá aos leitores condições de chegar às suas próprias verdades.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jean Foucambert</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>É importante lembrar que a passagem da civilização</em>  oral<em>  para a civilização </em>escrita<em> demandou grande espaço de tempo. A disseminação da escrita se fez de modo bastante lento. Por quê? Justamente pela significação política da escrita. Durante muito tempo a vida das comunidades esteve regulada pela</em>  memória<em>  dos anciãos, que, acumulando o conhecimento herdado das gerações anteriores, tornavam-se naturalmente detentores do</em>  poder<em>. Com a escrita, essa mediação tornou-se dispensável. O registro do passado assumiu configuração objetiva, oferecendo-se à decifração de qualquer contemporâneo e eliminando o controle dos mais velhos. Deslocando-se o centro de poder da memória oral para a memória escrita, é evidente que os detentores do poder cuidaram de exercer rigoroso controle sobre o novo instrumento de comunicação, conservando a estrutura de mando intocável. Quanto menor fosse o número de pessoas habilitadas ao manejo da escrita maiores seriam as possibilidades de manutenção da ordem vigente.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>José Marques de Melo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Tem sido a possibilidade de compreensão do mundo, seguida do desejo de transformá-lo, que a prática da leitura provoca em qualquer cidadão, o motivo pelo qual a sua democratização prossegue lentamente, sobretudo nas regiões pobres que integram o Terceiro Mundo.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>José Marques de Melo</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Que saberíamos do amor e do ódio, dos sentimentos éticos, e em geral de tudo o que chamamos de</em>  si mesmo<em>, se isso tudo não tivesse passado à linguagem, articulado pela literatura?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Paul Ricoer</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O alcance ético das obras literárias: o saber de nós mesmos e dos outros, dos sentimentos primários, como amor e ódio, quanto da estima, do respeito de si próprio, do reconhecimento do sujeito humano, de sua liberdade ou de sua existência alienada, da compaixão e do sentimento. É um saber que passa à linguagem na forma ficcional dos textos literários.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Benedito Nunes</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Acredito ter chegado a hora de posicionamentos mais radicais por aqueles que estão diretamente envolvidos com a questão da dinamização da leitura. Basta de fingimento e de inocência! Temos de parar de ser conduzidos pelos incompetentes, como autômatos impensantes, nos processos de formação de leitores. Temos de parar para refletir mais a fundo nos porquês e nos paraquês de nossas práticas sociais, assumindo compromissadamente as nossas decisões e os nossos atos e, dessa forma, gerando consequências positivas para nós mesmos e para aqueles a quem voltamos o nosso trabalho. E isso, é bom que se diga, não ocorre do dia para a noite, dentro da pressa/produtividade que permeia a sociedade, mas sim através de reflexões constantes, fundamentadas nos dados oriundos de nossas práticas, de nossas dificuldades reais, de nossas inquietações e de nossa imaginação criadora. Por outro lado, essas reflexões dependem de muito estudo &#8211; muito estudo mesmo &#8211; que proporcione a saída de si, a aventura do conhecimento e do diálogo. Sem isso, os professores e os bibliotecários continuarão a viver no seu isolamento forçado,</em>  deseducando<em> a si mesmos e a possíveis leitores que pretendem formar (o que é bem pior).</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ezequiel Theodoro da Silva</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A cultura não é um patrimônio, mas uma prática totalmente relacionada ao grupo que a cria. Logo, não há herança a ser transmitida, mas, sim, novas relações a serem permanentemente inventadas. Cada ser vivo, ao interagir com o conjunto de práticas do meio do qual participa, já contribui para criar no grupo uma nova cultura que transforma tais práticas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jean Foucambert</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ser leitor é querer saber o que se passa na cabeça de outro, para compreender melhor o que se passa na nossa. Essa atitude, no entanto, implica a possibilidade de distanciar-se do fato, para ter dele uma visão de cima, evidenciando um aumento do poder sobre o mundo e sobre si por meio desse esforço teórico. Ao mesmo tempo, implica o sentimento de pertencer a uma comunidade de preocupações que, mais que um destinatário, nos faz interlocutor daquilo que o autor produziu. Isso vale para todos os tipos de textos, seja um manual de instruções, seja um romance, um texto teórico ou um poema.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Jean Foucambert</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Tenho sonhado às vezes que, quando chegar o Dia do Juízo e os grandes conquistadores, advogados e estadistas forem receber suas recompensas &#8211; suas coroas, lauréis, nomes gravados indelevelmente no mármore imperecível -, o Todo-Poderoso irá se voltar para Pedro e dirá, não sem uma certa inveja quando nos vir chegando com nossos livros embaixo do braço: &#8220;Veja, esses não precisam de recompensa. Não temos nada para lhes dar. Eles amaram a leitura.&#8221;</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Virginia Woolf</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Rilke foi um desses poetas que, em suas leituras, estava constantemente relembrando a própria biografia: a infância miserável, o pai dominador que o forçou a entrar na escola militar, a mãe esnobe que lamentava não ter tido uma filha e o vestia com roupas de menina, a incapacidade de manter relações amorosas, dividido como estava entre as seduções da sociedade chique e a vida de eremita.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Alberto Manguel</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A lógica do capitalismo, fundada na obsolescência programada, sugere que o livro não vai desaparecer, porque encontrará seu nicho no sistema. Talvez se torne ainda mais elitizado; ou, pelo contrário, ameaçado de desaparecimento, providencie no barateamento do custo e à renovação de popularidade.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Regina Zilberman </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Por paradoxal que pareça, o resultado final, quando redunda em hipertexto ou multimídia, coincide com uma criação coletiva e socializada, envolvendo vários parceiros, técnicos e produtores. Seu efeito autoriza suplantar a perspectiva narcisista com que algumas obras artísticas, incluindo a literária, vinham sendo entendidas até recentemente.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Regina Zilberman</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Como a realidade linguístico-social é heterogênea, nenhum sujeito absorve uma só voz social, mas sempre muitas  vozes.  Assim, ele não é entendido como um ente verbalmente uno, mas como um agitado balaio de vozes sociais e seus inúmeros encontros e entrechoques. O mundo interior é, então, uma espécie de microcosmo heteroglótico, constituído a partir da internalização dinâmica e ininterrupta da heteroglossia social. Em outros termos, o mundo interior é uma arena povoada de vozes sociais em suas múltiplas relações de consonâncias e dissonâncias; e em permanente movimento, já que a interação socioideológica é um contínuo devir.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Carlos Alberto Faraco</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Sou todo consciência, não há mais nenhum meio de salvar-me.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Pier Paolo Pasolini</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Quanto mais velho, mais radical e quanto mais radical, mais livre.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>José Saramago</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ando deveras muito preocupada com o que se passa ao meu redor. Não que tema morrer; ao invés disso, sinto medo de ver-me eternizada em bloco de pedra, ou mesmo continuar como estou: esperando, esperando, apenas esperando salvar-me dos rostos quadrados, fugir e encontrar pessoas com as quais possa falar, sem que minhas palavras se percam no vácuo, inúteis.  Porque vivo sozinha em um mundo cada vez mais estranho, fantástico, mostruoso. Não que as coisas tenham se modificado tanto. Desde menina este encarceramento me sufoca, minha coragem foi sempre formada do desejo de evasão, o desespero de fuga deu-me forças até hoje. Ignoro mesmo se existe um lugar onde se movam pessoas, e esta dúvida pode ser a causa da crescente inquietação que me domina, pois ameaça ruir minha única esperança. Não: tudo se agravou mesmo depois da morte do espelho.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Maura Lopes Cançado.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Pareceu-lhe impossível continuar para trás. Ela não se permitia ter sofrido o que talvez não pudesse sofrer. Ou, a intensidade do sofrer, agora, apresentava-se-lhe demais brutal, contida naquele espaço pequeno de tempo que lhe era dado para reviver. Todavia, ainda que despedaçasse o coração, talvez sua única maneira de alcançá-lo, prosseguiria se não quisesse se abandonar ao cansaço &#8211; interrompendo a dissecação daquela figura pungente, indefesa, carente de qualquer astúcia para disfarçar seu pudor. Perdida nos caminhos já passados, nos sentimentos calcados de angústia, aquela criatura que, antes decerto, não se admitiria em sua nudez desesperada, agora se mostrando toda horror, toda desejo do que lhe fora negado. Ou, ela mesma, em sua única busca do impossível, não soubera como buscar o possível. Como errara. Como se perdera dentro de seu corpo. Fugira cada vez mais para longe &#8211; ela que se buscava em cada curva, em cada novo rosto, no equívoco das palavras, na carne sem alma, no silêncio e no grito sem som. Ela que, por não poder sequer ser má, acreditava na bondade além de si.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Maura Lopes Cançado</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Não houve visitas de reis, do oriente ou do ocidente. Os do oriente ignoravam. E os reis do ocidente faliram há muito tempo. Mas as aventuras existentes nos livros infantis são dádivas aos que amam intensamente a iluminada extensão de sua infância. Amor? Não me ensinaram a amar &#8211; mas tudo me parecia de manhã.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Maura Lopes Cançado</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A publicação permitiu às mulheres encontrar vozes similares às suas, descobrir que seu fardo não era único, descobrir na confirmação da experiência uma base sólida sobre a qual construir uma imagem autêntica de si mesmas.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Alberto Manguel.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Dia estranho. Álvaro amanhece subitamente mais velho. Melhor dizendo: com o ar de alguém envelhecido, alguém que atravessou consciente a vida e por isso mesmo ostenta uma coleção de rugas e marcas de expressão. Não é o seu caso.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Leandro Sarmatz</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A lucidez de que o rosto do outro, tão sofredor e sonhador quanto nós, é a pátria que pode nos abrigar do exílio, é o espelho que reflete a luz de nossa dor e de nossa alegria.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marcelo Alves.</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O processo normal de nosso pensamento não era capaz de dar conta do mundo como ele é. Tal mundo emerge, não do mar, como uma ilha aparece depois de uma longa viagem, mas de um estado de encantamento inspirado pela mente alterada. Nesse lugar estão as aniquilações, abismos e epifanias criadas durante aquele estado intermediário entre o despertar e o dormir, quando os sentidos ainda estão adormecidos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>James Cowan</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Será que os limites de minha língua restrigem a espécie de mundo que quero criar?</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>James Cowan</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Estou falando da alegria que sinto ao perceber o quão longe um homem pode ir ao afirmar sua existência em relação aos seus pares.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>James Cowan</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Ele simplesmente me levou a desistir de tudo em que eu acreditava em favor de algo muito mais perigoso. Levou-me a arriscar tudo, minha vida toda talvez, em busca da dolorosa gestação de um mundo criado pela paixão e pelos limites do espírito.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>James Cowan</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O homem é uma/ aflição/ que repousa/ num corpo/ que ele/ de certo modo/ nega/ pois que esse corpo morre/ e se apaga/ e assim/ o homem tenta/ livrar-se do fim/ que o atormenta/ e se inventa.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ferreira Gullar</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O futuro não está fora de nós/ mas dentro/ como a morte/ que só nos vem ao encontro/ depois de amadurecida/ em nosso coração./ E no entanto/ ainda que unicamente nossa/ assusta-nos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ferreira Gullar</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>A parte mais efêmera / de mim/ é esta consciência de que existo/ e todo o existir consiste nisto.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Ferreira Gullar</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Eu uso palavras que retiro do lugar onde costumam estar e coloco noutro. Troco um pouco as coisas, para que as mesmas palavras passem a dizer coisas diferentes.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Valter Hugo Mãe</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>O êxtase ou a queda? Ambos. Menos a felicidade. Esta entedia. É  pobre e engorda. Embota. Escapar da felicidade talvez seja o supremo </em>dan (<em>nível) na arte de viver.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> Jamil Snege</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se o livro entra na vida das pessoas, as pessoas entram na vida dos livros.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Gilberto Dimenstein </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Desatenção e falta de foco são o custo cognitivo da imersão prolongada em um ambiente dispersivo com o da web &#8211; um grande `ecossistema da interrupção´, na definição do blogueiro canadense Cory Doctorow. Mas pode sair bem mais salgada a conta a se pagar pela nossa adoção irreversível da internet, na avaliação do jornalista americano Nicholas Carr. Em seu último livro, ele argumenta que a rede está mudando &#8211; para pior &#8211; a forma como pensamos e a própria estrutura e funcionamento de nosso cérebro. Para ele, estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Bernardo Esteves</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Para Nicholas Carr, a cultura do multitask característica da internet representa uma ameaça à tradição da leitura profunda e solitária. A web estaria formando leitores incapazes de manter a atenção sustentada e de processar textos de fôlego. Para ele, o novo padrão de leitura imposto pela internet é um retrocesso em nossa história cultural. `Estamos deixando de ser cultivadores do conhecimento pessoal para nos tornar caçadores e coletores na floresta eletrônica de dados.´ Carr teme que a leitura concentrada volte a ser o hábito restrito a uma elite intelectual. A era da leitura em massa, aposta, terá sido apenas `uma breve anomalia em nossa história intelectual.´</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Bernardo Esteves</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Se os escritores estivessem plenamente satisfeitos com o mundo real em que vivem, não criariam (não precisariam criar) um novo mundo na ficção.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marcelo Backes</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Eu mesmo também já escrevi &#8211; e acho que isso explica algumas coisas &#8211; que o negro, negro sangue do meu matadouro interior, é a tinta que o papel lambe, pra apagar em vão minha dor.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marcelo Backes</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Sou profundamente romântico na questão; acho que o artista é um eterno e solitário perseguidor de fantasmas, que alcançará &#8211; ou não &#8211; o universo e a eternidade a partir daquilo que tem a dizer recolhido com seus próprios botões, cultivando sua solidão.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Marcelo Backes</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>Mas é então, sob a sentença de um envelhecimento inevitável, que alguma coisa em mim parece querer, e poder, sobrevoar meu corpo, livrar-se dela &#8211; um misto de olhar para longe e de respiração, um amálgama aflito de palavras, a melodia como porta ou túnel, o instante que cava minha pegada numa paisagem imensa. Mas esta alegria progressiva precisa de alimento constante e o próprio corpo, em sua casca, parece não resistir bem a ela, tornando-se inquieto, ofegante e, aos poucos, cansado e deprimido. Como um balão cujo gás vai escapando, a energia insana de nossa alegria física procura abrigo &#8211; nas imagens, nos braços de outra pessoa e, no limite, pois é a isto que sempre recorre,</em>  na linguagem.<em>  É ali que a tentamos prender, antes que o gás escape de uma vez e sejamos tão-somente os espectadores de nossa própria decrepitude, de nossa fusão indeterminada na matéria.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>Nuno Ramos</strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong><strong><em>NÃO TENHO INTENÇÃO ALGUMA DE IMPOR &#8220;HISTÓRIA&#8221;, &#8220;ENREDO&#8221;, &#8220;CONTINUIDADE&#8221;&#8230; NÃO ESTOU AQUI PARA FORNECER ENTRETENIMENTO.</em></strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em>William Burroughs</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong> </strong></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em> </em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em> </em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><em> </em></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pauloventurelli.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pauloventurelli.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pauloventurelli.wordpress.com&amp;blog=15926861&amp;post=5&amp;subd=pauloventurelli&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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